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Domingo, 24 de Maio de 2026

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Por onde andam os tropeiros?

E Dom Barulho segue um tropeiro da memória, um semeador de cultura

Por onde andam os tropeiros?
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Seu Osvaldo (nominado assim de nascimento), tinha o pseudônimo de “Barulho”, e por esse apelido era conhecido de todos em seu círculo social, não por acaso era meu avô. Barulho porque o seu pai era seu João Barulho e, por conseguinte cresceu Osvaldo Barulho e realmente eles gostavam de fazer muito barulho, festeiros, campeiros, boas praças, eram assim. Bueno, vamos sem delongas, porque quem lê a coluna já conhece alguns pormenores da história e não podemos ser redundantes. Ele é meu parceiro imaginário para contar as coisas que permeiam nossa história, nossa cultura, costumes, enfim, nossa vida.

Adentremos os portais dessa campereada lúdica e vamos juntos, tu, Dom Barulho e eu nessa eloquente viagem montado no pingo do imaginário.

Alça a perna, tapeia o sombreiro e cutuca esporas...

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“Dom Barulho sempre traz um pouco de luz aos pensamentos com fachos voltados ao passado, para que olhemos ao futuro lembrando com altivez, de onde viemos, e assim podermos aclarar o para onde devemos e/ou podemos ir.

Lembrava ele que séculos passados, luzidos de XIX e adentrando o XX, os tropeiros eram tão importantes quanto os cientistas. Nossa que comparação tosca, pensava eu, com tal afirmativa incômoda em minha mente.

Os cientistas descobriam coisas das ciências, os tropeiros descobriam coisas que nem os cientistas e suas ciências descobriam, afirmava ele. Os tropeiros designavam o melhor gado, a melhor aguada, melhor paragem, melhor caminho melhor para tropear, aliás, vamos respirar e seguir passo a passo pra ninguém se perder na poeira.

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Os tropeiros eram os homens de a cavalo. Eram quase como seres mitológicos, os centauros dos pampas, com suas vozes de comando, seus relhadores de estalo, suas boleadoras, seus mangos de puro látego, conduzindo tropas de gado, dessas de se perder vista, rumo aos matadouros, aos barcos de transporte, as fazendas de muda e estâncias de cria. O destino não importava profundamente, o cumprimento do dever sim, transportar tropas sem perder uma rês sequer era o que eles tinham em suas mentes.

Guaíba ainda nem era sesmaria (posteriormente pertenceria a Antônio Ferreira Leitão) e as tropas já lhe cortavam a geografia rumo aos destinos donde o metal valioso enchesse a guaiaca dos tropeiros e esses, após retirarem seu lucro, repassavam aos produtores.

Era tempo em que no Sul havia grande concentração de “gado alçado” ou selvagem, que por serem chimarrão (cimarrón) podiam ser capturados e incorporados as tropas, rendendo mais lucro aos tropeiros.

Há indícios que as atividades tropeiras iniciaram no século XVII e se estenderam até o século XX. Esses homens de a cavalo, cortavam o país com suas comitivas, levando tropas onde o lucro fosse mais atrativo, as vezes saiam do extremo sul e pegavam ruma a Estrada Real pelos campos de Viamão, subindo até Sorocaba, grande centro comercial de gado.

Os tropeiros tinham, no princípio, estreita relação comercial com os índios pampeanos (Charruas e Minuanos principalmente) que arrebanhavam o gado, estes sofriam seguidamente roubo pelos chamados “gaudérios”, homens sem pátria, sem lei e sem família. Vestiam-se como os Charruas, com botas de garrão de potro, chiripá e poncho. Assaltavam estâncias missioneiras e também roubavam o gado da Vacaria do Mar. Eram conhecidos na Vacaria do Mar como chansadores (contrabandistas). Por isso nem todo mundo do meio rural ou do tradicionalismo, gosta de ser chamado de “Gaudério”, pela conotação antiga.

Figura ilustre e importante para o início das longas tropeadas foi Cristóvão Pereira que estabeleceu o caminho das tropas e currais, ao longo do litoral. Em Torres e ao norte do canal de Rio Grande, foram montados postos de cobrança de pedágio do gado, retirado da Vacaria do Mar. Esses postos de pedágio, na época, eram chamados de registros. Essa rota dos tropeiros pelo litoral era muito acidentada, e eles tinham de atravessar muitos rios. Em 1727, foi descoberto outro caminho: era a estrada de Morro dos Conventos, de onde as tropas atingiam facilmente Lages, Curitiba e Sorocaba.

Os tropeiros que faziam as longas viagens, geralmente tinham a seu serviço muares, mulas, animais mais fortes e que além de carregarem grandes bruacas com mantimentos e itens de necessidades básicas, serviam muitas vezes de montaria, dependendo do terreno onde a viagem seria realizada, pois se adaptavam bem a terrenos mais rústicos.

Façamos um exercício de ilustração que, naquele tempo não haviam estradas, poucas vilas e cidades, então as dificuldades enfrentadas eram enormes e imensuráveis.

Pelas rotas das tropas iam recados, sonhos, notícias, miscigenação cultural, bens e tantas outras coisas que cidades nasceram dessas tropeadas.

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Os tropeiros abasteciam as cidades, as tropas de gado serviam de comida, o couro vestuário, as partes menos nobres poderiam transformarem-se em adornos, adubo e tantas outras coisas que se dizia dos tropeiros, semeadores do desenvolvimento.

E Dom Barulho segue um tropeiro da memória, um semeador de cultura.

FONTE/CRÉDITOS: Cristovão Pereira - O Desbravador
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Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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