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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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A nossa cultura

Com a cultura vem os valores e aí que o rio dobra e deixa alguns pelo caminho...

A nossa cultura
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Se Dom Barulho estivesse agora, de mate cevado, palheiro nos beiço, chapéu de copa alta e aba curta, as pernas cruzadas com o pé direito preso atrás da batata da perna esquerda, dentro da sua bombacha gris, olhando pra mim, lendo os meus pensamentos diria:

“Sim meu neto, sim é a resposta para essa inquietação! Desde os habitantes primitivos desta terra até a chegada dos dominadores habitantes do Velho Mundo, sedentos por prata e ouro temos um manancial de cultura se acumulando e se acumulando nos baús do tempo, mas note bem, a cultura é como uma montanha. Ela (a montanha) está ali o tempo todo, disponível ao mundo, porém só verá o cume quem não tiver preguiça de subir. ”

Assim eu vejo no dia a dia os jovens, adolescentes e crianças com preguiça. Há que condená-los? Creio que não. Há que se perguntar quem os deixa preguiçosos? Quem corrobora para a limitação da sabedoria e tole o desenvolvimento cultural desses que serão o mundo do amanhã?

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Todos nós...

Viemos de tempos em tempos usando a escola como punição, ameaçando um filho de caso não passar de ano não ganha um presente, cobramos as notas mas não nos importamos com os conteúdos.

Nós nem sequer nos damos trabalho de questionar a formação dos professores que ensinam nossos filhos.

Quantos estagiários estão em sala de aula sem uma supervisão adequada. Isso é uma adaga cortando de dois lados, não desenvolvendo o professor e por conseguinte não aprendem os alunos.

Nosso país jogou no lixo a importância do professor, eximindo a classe de educadores para simples “passadores de matéria” tornando-os secundários na função educacional e nós embuçalados pela ignorância, aceitamos.

Quem forma médicos que salvam vidas? Quem prepara cientistas que encontram as curas das doenças? Quem dá o caminho para advogados, engenheiros, psicólogos e tantos outros profissionais trilharem suas carreiras?

A resposta é uma só: os professores.

Desde a cultura mais primitiva essa incumbência era exercida pela sabedoria, nas tribos o mais velho e mais sábio ensinava aos mais jovens sua cultura, para que não se perdesse no tempo.

Com a cultura vem os valores e aí que o rio dobra e deixa alguns pelo caminho, os valores foram definhando.

As famílias, por vezes, investem em bens supérfluos, em coisas tão piegas e de curta duração, que custam caro, mas reclamam em pagar por um livro, acham absurdo o valor do ingresso de um teatro. O pior e mais impactante aos meus olhos, são que não prestigiam os eventos gratuitos nem os artistas locais por pura preguiça.

A falência da cultura e a perda de valores já foi decretada, mas há salvação, basta que ensinemos os nossos que ler um livro é mais importante que jogar no celular, ninguém mais joga damas, xadrez, ludo, trilha, todos preferem as séries enlatadas de alguma tevê importada.

Qual de vocês, meus queridos leitores já viu e convidou seu amigo, irmão, namorado, filho para ver e ouvir o Bicca e sua Pequena Serenata, ou o Isaque Santos em seu teatro circense e lambe-lambe?

Quem já prestigiou o Manity Oliveira, o Roger Correa que anda mundo afora com sua gaitinha, ou o Charles Arce em seu canto missioneiro?

Já viram uma apresentação do Binho Ribeiro com seu pop cheio de alma, já leram Altair Martins? Como se Moesse Ferro, Dentro do Olho Dentro, Os Donos do Inverso são títulos desse escritor Guaibense, ele tem vários títulos, escolha o seu.

Nossa terra tem tantos talentos, o Esthevam Lima e o Arthur Seidel, dois piás cheios de energia, o pessoal do Novo Nosso Bom Partido com seu pagode, o Fabio Malcorra, Mateus Gomes Alves, Lucas Madruga e o Rodrigo Rosa na declamação, A Graciele Souza, Fofa Nobre, Daciara Color defendendo a vez e a voz feminina com seus talentos inegáveis, nosso amigo Ivo Schergl Jr com filmes e vídeos magistrais, quantos desses tu já prestigiou?

Esse são nomes de talentos que nossa terra tem, mas tenho orgulho de ressaltar que temos muito mais, o Jackson Brasil com seu samba rock, posso contar ainda sobre Renato Isquierdo que nos deixou ainda jovem, mas legou poesia ao mundo, o comandante Pedro Molnar, o Lucas Nunes, Valmir Michelon e a Maris Strege dando vazão a poesia pela fotografia. Quanta coisa boa nossa terra oferece, quantos professores bons a gente lembra de ter sido importantes em nossa formação, porque não passar adiante, porque se acomodar e não subir ao cume?

Minha crônica suplica por uma cidade que prestigia mais sua cultura local e fomenta seus talentos, mostrando ao mundo que podemos mudar nossa cidade de forma bondosa, cultural e generosa.

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Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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