Folclore é o conjunto de manifestações da cultura popular que são típicas de um determinado povo, podendo realizar-se nas danças, contos e ritmos, por exemplo. Folclore é o que conhecemos como manifestações da cultura popular que acontecem e que formam a identidade social de um povo.
As manifestações religiosas, por força popular, acabam tornando-se manifestações folclóricas de determinada região.
Há em nosso folclore a Lenda do Negrinho do Pastoreio, um misto de mito, lenda, que envolve religiosidade cristã e africana com um fundo filosófico sobre a bondade e a maldade, a fé de quem busca algo perdido e apela ao Negrinho.
Nossa formação sociocultural abrange diversas etnias e com elas uma incontável forma de manifestações religiosas. Como somos um povo formado por imigrantes, esses trazem consigo suas crenças, suas festas e seus costumes, que permeia a sociedade contemporânea desde os tempos antigos.
Independente da fé, credo ou religião, algumas festas são comuns em vários desses cultos, por exemplo temos a grande festa de Nossa Senhora dos Navegantes que também é a “Rainha das Águas” para religiões de origem africanas e trazem na mesma data a Festa de Iemanjá, ambas as duas concorridas por seus seguidores, admiradores ou curiosos, que acompanham os cortejos pedindo suas bênçãos, proteção e agradecendo por sua fé.
Nós seres humanos somos movidos por motivos, objetivos, metas etc. E boa parte da população também se mobiliza pela sua fé. E aqui, não há certo ou errado, apenas a Fé e cada um dentro de suas crenças.
Nosso folclore contempla registros importantes em relação a isso, já mencionado logo aqui acima, assim como na história do Rio Grande do Sul, tivemos participação presente dos Jesuítas, por exemplo, que tentavam catequizar os índios ao invés de compreender a fé que eles tinham.
Abertura para conhecer o desconhecido por cada um de nós, poderá fazer a diferença na sociedade! Aí, se seguiremos ou não o que estamos nos permitindo conhecer é uma outra conversa. Ás vezes, o que possa ser desconhecido, nos gera tão logo desconforto, desconfiança, enfim... e até aí está tudo bem! Porém, podemos nos permitir ao menos escutar e aprender um pouquinho do que outro nos tem a ensinar.
E com essa atitude manteremos vivo o folclore e a tradição como um todo! Com olhar curioso de uma criança na busca por saber e o olhar de tranquilidade de quem gosta de transmitir, assim como Dom Barulho!
Falando nele, sempre é bom lembrar suas andanças, suas histórias e seus ensinamentos.
Certa feita, em um dia de Navegantes, Dom Barulho se preparava para acompanhar o cortejo a santa e se topou com um grupo de amigos no bolicho, cedo jogando um osso. Apeiou do pingo, chegou bem despacio, olhou os amigos e largou de vereda:
“Despois não vão reclamar da sorte, temos que ter tempo para a diversão, para o labor e para a fé, independente do credo, a fé move o homem em direção ao sagrado. Quando pedimos aos nossos santos, orixás, ou seja, lá o nome que cada um dá aos seus mentores espirituais, eles retribuem, mas temos que fazer a nossa parte.
Para abençoar nossas lavouras, cuidar de nossa criação e proteger nossa família, mostremos clemência e respeito aos que do sagrado olham por nós. ”
E com voz firme, de líder que sempre foi, largou a ordem:
“Meus irmãos de campo e labuta, se alinhem, montem seus cavalos e vamos prestigiar o cortejo de Navegantes dona Iemanjá, seremos os cavaleiros de sua procissão para agradecer tudo o que nos abençoam e protegem. ”
E em poucos minutos lá se foram, Dom Barulho e seus parceiros de campo em direção a fé, por gratidão, por devoção, por união...
Que nunca percamos a fé.
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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