Repórter Guaibense

Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

Colunas/Geral

Os piás

Ah! a espontaneidade que tínhamos quando criança, falávamos com uma pureza e leveza.

Os piás
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Quando éramos bem piás, aqueles de jogar bolita, cinco Marias e de correr na rua pulando valo, sempre escutávamos os pais e os avós dando sua contribuição para nossa formação.

Eram outros tempos, afinal já falamos em outras oportunidades, ele (o tempo) é implacável, não para, não esgueia, nem sequer pisca, ele segue sem parar, sem dar trégua e com ele vão acontecendo mudanças que não temos pretensão de julgar, mas de mostrar que elas ocorrem, independentemente de qualquer coisa.

Somos saudosistas, sempre usamos a métrica da comparação, isso era melhor que aquilo que é melhor que o outro e assim viajamos no tempo, saudosista é assim. Um pé no futuro, mas um olho sempre no passado, juntos, mas equidistantes.

Leia Também:

Tudo isso para trazer à tona que somos hoje um tanto do que nos moldaram na infância, fomos quase que programados (expressão meramente usada para reforçar conceito) com valores, crenças, lendas, tudo o que nos contaram gravamos, tudo o que faziam, gravamos, tudo o que víamos, gravamos e só na fase adulta começamos a entender o que usar o que descartar, o que guardar e foram se formando os adultos, daquelas crianças que pulavam valo e jogavam cinco Marias.

Ah! a espontaneidade que tínhamos quando criança, falávamos com uma pureza e leveza. Se tínhamos algo a perguntar? Perguntávamos!!! Se estávamos tristes? Chorávamos, por vezes, copiosamente!! E quando estávamos felizes com algo?!! Ah, que alegria, era como uma explosão, parecia que não tinha espaço dentro da gente, tamanho era o sentimento.

Bem, mas aí crescemos!! ... A vida adulta chegou e com ela, as responsabilidades aumentaram, preocupações, problemas, incertezas e etc.

É verdade, mas ainda que tenhamos tudo isso, o que fizemos da nossa criança leve e curiosa pelas coisas da vida? Que é autêntica em demonstrar seus sentimentos?

Importante notarmos para o quanto, talvez, em alguns momentos vamos nos distanciando da leveza e olhando para as situações com olhar mais cinza e novamente se afastando do olhar colorido de uma criança.

Contemplamos aos pequenos, valorizamos e percebemos estas características, porém, não nos permitimos.

Dom Barulho andava pelo campo, a pé, comigo ao seu lado conversando sobre coisas do dia-a-dia que não lembro acertadamente do que se tratava, de repente vislumbramos uma criança, bem mais nova que eu naquele tempo, jogando pedras em um quero-quero, na fantasia de que acertaria o pássaro.

Fiz menção de sair correndo para repreender o piá, mas quando ameacei a corrido aquela mão rude e forte me agarrou de um braço e disse-me:

“Nem tentes estragar a peraltice do inocente. Ele não quer maltratar o bichinho, mas brincar de acertá-lo. O quero-quero não se deixará tocar por uma pedra. A experimentação serve para o aprendizado.

Aquele piá se aperceberá que, por mais que tente e repita, não acertará o pássaro, vai crescer e se dará conta da beleza do bicho, da destreza da ave, da fraqueza do homem e da perfeição da natureza. As crianças são os experimentos dos adultos, tentam, erram, acertam, aprendem e moldam-se ao futuro.

Deixe, nunca tolha a inocência, pois dela brota o amanhã...”

 

Fica aqui, nosso convite: Não deixe a criança leve e curiosa que há em ti, perder a sua voz interna.

Comentários:
Mário e Tainara

Publicado por:

Mário e Tainara

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também