Pajador, Payador, Pajada, Payada o que é isso?
Pajada em português e Payada em espanhol, são palavras de línguas distintas para falar da mesma expressão artística e poética. Pajada é uma forma de poesia feita geralmente de improviso muito difundida na Argentina, no Uruguay, no Paraguay e Chile (onde chamam de paya) e aqui no sul do Brasil. São estrofes compostas de dez versos com uma rima estabelecida e geralmente com o acompanhamento de violão.
A pajada pode ser executada com apenas um pajador, exaltando as coisas que gosta e que admira, ou fazendo críticas ao momento ou ao cenário, demonstrando nessa arte toda a sua habilidade de rimar assuntos diversos. Porém, a pajada pode ser de contraponto, quando dois pajadores se desafiam em duelos rimados, mostrando ainda maior habilidade no verso de improviso.
Qual a relevância dessas informações? Total. Esse colunista vem aqui buscar resguardar, valorizar e parabenizar a arte pajdoril tão respeitosamente trazida de antanho e tendo sido reconhecida por lei estadual n° 11.676/2001 o dia 30 de janeiro como o dia do Pajador, em homenagem ao dia do nascimento de Jayme Caetano Braun, patrono deste movimento.
Casulamente, um dia após, em 31 de janeiro (não do mesmo ano) é o dia de nascimento de outro grande ícone dessa arte, reconhecido em toda a Argentina, Héctor Roberto Chavero. Talvez pelo seu nome não lembremos, mas pelo pseudônimo sim: Atahualpa Yupanqui.
Tanto Don Ata quanto Don Jayme são reconhecidos nas pátrias onde a arte da pajada ainda tem aficionados, são ícones que além de pajadores eram exímios poetas e cantores. Jayme arriscou-se nos Teatinos e Atahualpa fez grande sucesso em sua carreira, ambos tiveram suas poesias musicadas por interpretes renomados como Cenair Maicá, Luiz Marenco, Lucio Yanel, Mercedes Sosa, Alfredo Zitarrosa, Victor Jara, Ángel Parra e Elis Regina.
Ainda tem em comum esses ícones a sua admiração em diversos países da latino américa, tanto pela qualidade poética quanto pelo conteúdo. Jayme e Atahualpa retratam as paisagens pastoris, o homem do campo, simples e rude, um setor primário que sustenta a cidade e que por vezes passa tantos perrengues que se sente desvalorizada, esquecida por quem teoricamente deveria ampará-los. Além de posicionarem-se poeticamente frente a assuntos importantes como: a educação, saúde do trabalhador, discriminação social, valorização do setor primário e o respeito pelo campo.
Jayme e Atahualpa foram as vozes do campo, falando em tom maior coisas que muitos se incomodavam ouvir e por vezes não atendiam as demandas. Ecoa no tempo e reverbera no presente as suas súplicas, buscando que o campo não se esvaia em esquecimento ou enriquecimento de poucos.
Pedi ajuda ao meu irmão querido Diogo Corrêa, o Diogo de Bagé, que é uma enciclopédia viva e me mandou as informações pertinentes ao assunto. Me disse para lembrar dos pajadores que cantam em décima espinela, com estrofe também de dez versos todos com oito silabas cada, ainda há os cantores de Mejorana do Panamá, os Trovadores de Porto Rico, os Verseadores das Ilhas Canárias, os Trovadores Peruanos e os nossos repentistas lá do nordeste do Brasil.
Jayme Caetano Braun e Noel Guarany compuseram Payador, Pampa e Guitarra para homenagem dessa arte, um verso para vocês leitores:
“A guitarra - o Payador e o pampa -
sempre afinados
são cordas dos alambrados da vida,
esse corredor;
paz - liberdade - e amor
que nunca serão proscritos
porque nos ermos solitos
onde o canto se desgarra,
cada alma é uma guitarra
presa entre dois infinitos”
Salve o Pajador Gaúcho, os Payadores latino americanos e a arte da décima improvisada.
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