Repórter Guaibense

Quinta-feira, 16 de Julho de 2026

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Quando um poeta se vai

Ele sempre educado e sonhador, a poesia e aas histórias era seu assunto predileto.

Quando um poeta se vai
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Ganha cor o mundo nas linhas poéticas que nos entregam os poetas. Com ou sem rima, seus versos trazem o universo para dentro de nós e nos jogam ao universo, viajando do concreto ao abstrato sem sair do lugar.

Nos poemas mais simples, a simplicidade de cada alma, nos mais complexos, a complexidade de toda a vida.

Os poetas são desenhistas, fotógrafos, contistas e cronistas só que de forma mais conformadas. Não de conformismo, mas de dar forma conforme se desenham em suas palavras.

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As vezes um poeta transcende e se torna professor. Ah quem me dera ter tido um professor poeta, para com ele me esbaldar em poesias, revisitar minhas memórias que eu nem sabia que tinha, aprender sobre o que ele ensinaria por pura admiração poética.

O professor poeta, carrega seus alunos pra dentro dos versos de suas poesias, desenha a escola, seus colegas e retrata deles o que capta de melhor, as vezes até o pior, mas para que leiam, se vejam e tenham a oportunidade de mudar, de fazer diferente.

E vamos além, quando o poeta é professor e marido e se torna pai. Êxtase completo, é a poesia do mundo escrevendo no poeta as suas rimas mais perfeitas, com versos em ritmo síncronos causando a sinapse do cérebro ao coração.

Depois de tudo isso se ele for amigo, nossa parece que o céu emprestou um anjo para viver perto da gente.

Pois bem, não tenho tanta propriedade assim para falar do Renato, tivemos pouca convivência, mas ele tinha algo de cativante, além da poesia e da sinceridade nas palavras, uma meiguice fantasiada de timidez.

Foram encontros que a poesia proporcionou, na Feira do Livro, nos Saraus da Denise Rosa, na Fábrica de Gaiteiros, nos desafios de poesia da Maris Strege e em caminhadas pela cidade. Ele sempre educado e sonhador, a poesia e aas histórias era seu assunto predileto.

Pois bem, as coisas nem sempre são como a gente sonha. Por vezes, as programações não saem perfeitas, adiamos algum a fazer, deixamos planos pra depois, sonhos pro talvez e esquecemos que o programador de tudo não somos nós é um Ser onipotente, onipresente e que tudo sabe dos destinos.

Um poeta não deveria morrer, ainda mais um poeta de coração tão bondoso, que espalha amor por onde passa e semeia amizade em todos os corações.

Não um poeta desse quilate não devia nem ao menos se gripar, nem uma dor de cabeça deveria atingi-lo. Poeta como Isquierdo deveria ser imune as chagas do mundo. Ele é a vacina, seus versos nos salvam das dores, nos tocam a alma e trazem o amor a tona.

Ele é profilaxia para a maldade, para os escárnios e as mazelas que assombram as mentes deprimidas, com a alegria e vontade de viver.

Renato é pássaro no céu azul, é borboleta entre flores quando voa poesia. É orvalho molhando as pétalas da vida refazendo a terra no sumo da seiva que carrega em seu coração poeta.

Mas não é a gente quem decide...

E o Ser Supremo chamou nosso poeta para rabiscar no céu. Renato Isquierdo foi fazer poesias com os anjos.

Talvez ensinar a bondade por entre os seres celestes e abrir clareiras de luz, entre as nuvens.

Vai emanar energias boas e muita paz para as suas amadas Josiane e Manu, cuidando de lá com todo o Zelo.

Essa maldita covid19 (não vou escrever em maiúscula, ela não merece) vai paulatinamente derrubando as flores do jardim da vida e nos deixando sem suas cores e seus aromas.

Essa pandemia nos dá uma rasteira a cada dia, por mais que ainda tenha gente que fique duvidando das consequências, ela realmente acomete de dor as famílias que nos rodeiam e temos que nos solidarizar.

Renato vai deixando em todos o sentimento de frustração, de alguém que tinha muito ainda pra dar, muitos poemas para escrever, muito amor pra entregar pra família e muito a ensinar para seus alunos. Não somos nós que escolhemos, somos os escolhidos, mas Renato escreveu de forma poética e maravilhosa seu poema de despedida.

Com versos dele finalizo a coluna de hoje, prestando minha singela, mas muito sincera homenagem ao homem íntegro e gentil, ao poeta inspirado, ao professor amado e figura tão sincera e querida da nossa cidade:

 

“O poeta viverá na própria poesia que deixou.

Das páginas amareladas da história, a sua voz virá

Para lembrar os homens de que vale a pena viver.

Um poeta será um amor sem fim,

Como uma flor que, embora vencida pela tempestade,

Ainda exala seu perfume pelo jardim”.

 

                          Renato Isquierdo

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Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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