O tradicionalismo revela coisas e traz tantos benefícios, quando aplicados a voz da Carta de Princípios e da tese do Barbosa Lessa, que deveríamos escrever livros e livros sobre essas coisas transformadoras.
Num tradicionalismo que foi criado, devemos comungar da mesma água na vertente, de forma igual e fraterna, com carinho pela água e afeto por quem bebe.
O Movimento criou diversas opções para o desenvolvimento artístico, campeiro, esporte e cultural das entidades e seus associados, trazendo dos galpões simples dos campos do fundo de cada fazenda, num cenário pitoresco, os causos, a declamação, a música e o canto, além das danças etc.
Os tropeiros birivas também deixaram seu legado, com danças que os homens executavam em tom de descanso e brincadeira, como festejo no encontro da caminhada, tão longa e dolorida que cada pausa merecia um festejo.
Nesse vai e vem de levar a cultura adiante, entre ensaios, conversas, preparativos para eventos, envolvemos várias famílias nos tornando quase uma só, convivendo em sociedade, distribuindo responsabilidades, repartindo tarefas e promovendo o enlace fraterno. Real fundamento do tradicionalismo.
Vemos transformações importantes quando trazemos as famílias ao contexto, num quadro de digitalização, onde crianças se afundam nos celulares, acompanhamos horas de divertimento num jogo de “Amarelinha” ou “Sapata” (como queiram cada um dos leitores) onde as crianças nem lembravam que tinham celulares. Simplesmente maravilhosa a cena. E a interação e senso de bondade que a criança carrega, não devia se desprender nunca do indivíduo.
E nesse vai e vem de preparações, organizações e apresentações, os nossos miúdos também se destacam.
Assumem o protagonismo e decidem que vão representar seu CTG (Centro de Tradições Gaúchas) em alguma modalidade, seja qual for, isso é importante no desenvolvimento do intelecto e no aperfeiçoamento da apresentação em público de cada um deles.
Mas o que chama a atenção também é a referência, as que eles têm e aquela que se tornam.
Ao subir no palco, com seus parceiros, músicos, ensaiadores, professores, enfim, o que seja, ali estão parte de suas referências, mas ao serem acompanhados pelos amiguinhos, pelos filhos dos integrantes do grupo, eles passam a ser referência.
Quanto desperta no coração daquele que está acompanhando a vontade de também fazer parte daquele contexto também?
Quanto talento pode ser formado e lapidado no universo do tradicionalismo?
Oportunidades de sobra, há que se aproveitar da melhor maneira.
Portanto a lapidação é processo lento e demorado, o que importa é deixar os pequenos, que serão o prosseguimento de tudo que realizamos, deixemos que cantem desafinado, que dancem desritimados, que declamem um versinho apenas, que toquem um instrumento sem nunca ter tocado, sejamos inspiradores, pacienciosos e incentivadores desses que nascem para o mundo das artes e da cultura gaúcha.
A oportunidade de fazermos parte de um grupo, nos agrega no desenvolvimento natural e coletivo. Quantos ensinamentos e aprendizados em um convívio? É a tradição sendo fomentada e gerando sua permanência e multiplicando valores.
Às vezes, nos questionamos, em relação ao que podemos oferecer aos nossos filhos, sejam eles crianças ou jovens, bem como os adultos e mais experientes, não é mesmo? A tradição tem espaço para todos e não há limite de idade para convívio em sociedade. Sempre temos o que aprendermos e oportunidade para evoluirmos!
Lembrem-se, em relação aos pequeninos e mais jovens: deles será o amanhã de tudo o que vivemos hoje.
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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