Coisa mais difícil entender a vida. Uma hora o certo está errado e o errado já não está errado. O tudo vale nada e o nada é muito. Louco isso, não é?
Desde cedo escutamos que precisamos estudar para vencer na vida, trabalhar muito para ser alguém na vida. Pois bem esse espírito competitivo que herdamos de nascença, permeia inclusive o mundo tradicionalista.
Em alguns eventos, em muitos momentos, em vários centros o que se ensina é a competição, a luta desenfreada por um troféu. Que tolice...
Vem de berço sim e me explico. Quando a mãe estava grávida, aquele barrigão lindo, muitos amigos e parentes torciam pra que fosse lindo, que viesse “completinho”, sem nenhum defeito de fabricação, poucos desejavam que fosse saudável. Sim saúde, é só o que precisamos, depois vamos adquirindo as virtudes e tentando tratar os defeitos.
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Da mesma forma que quando vamos crescendo, tudo é uma barganha, ameaça ou competição. Se não mamar vai apanhar, se não dormir o bicho papão vai te pegar, se não estudar não tem doce, se não passar não ganha presente no natal. Mas é personagem de ameaça. Até o velho do saco e o velho dos cachorros já foram personagens de ameaça pra muitos que leem essa coluna.
Quando vamos crescendo vem o famoso “que vai ser quando crescer”? Mas bah que isso me irritava e eu nem entendia porque. Desenvolvi uma antipatia por essa maldita frase que hoje, mais velho e rabugento rebato quando ouço. Sei que estou errado, mas vou tentar melhorar.
Todo mundo nasce alguém. Todos somos a razão de algo ou de alguém, já lutamos no parto para sair do ventre e vir ao mundo, somos merecedores desde o início. Deveríamos voltar as preocupações é pra o que ele vai aprender para crescer, em que sociedade ele vai ter referências, como posso ajudar e apoiar para que seja uma pessoa boa, virtuosa, afetiva e fraterna.
Creio que com a perda da essência afetiva e fraterna, nessa ânsia competitiva em tudo o que circunda nossa vida, aí está o cerne do declínio social.
A perda do respeito por tudo o que nos eleva, como os professores e a educação, o civismo e amor a pátria, ao estado, a cidade, ao bairro, hoje tudo é muito descartável e inútil, volátil e inconstante. Os livros emboloram na estante, cheio de conteúdo enquanto as discussões rasas e sem sentido ganham força nas mídias sociais do mundo inteiro.
Agregado a esse poço cultural da profundidade de uma colher de chá vem o extremismo. Hoje se aquele que está dialogando diverge, ele não me serve. Se me chama pra discussão, independe do tema, ele é de direita, ou de esquerda, heterofóbico, homofóbico, xenófobo, ateu, crente, sei lá.
Não damos direito ao outro divergir, somos extremistas, sem conteúdo. Absurdamente como pedimos igualdade, queremos separa, cotizar, reclamamos da educação, mas não gostamos de estudar, queremos mudar o mundo com a bunda colada no sofá.
Se alguém respeita o homossexual ele é taxado como tal, se respeita o que a sociedade (hipócrita) julga errado, ele está errado. Vira alvo de ameaças, de injustiças e pode ter a vida esculhembada porque a mídia social não tem juiz, ela é cruel e massiva, se todos dizem que é, então é.
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O mundo perde os critérios porque o respeito se vai esgoto afora, junto com a pobreza de espírito, a educação, a moral e os bons costumes, enquanto ter é mais importante que ser, enquanto vencer é mais importante que ajudar, enquanto o extremismo sufocar a moderação, seguiremos rasteiros como animais de peçonhas aguçadas, rumo a extinção do afeto e da fraternidade.
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